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ENCEP 2026!!!

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Síndrome do olho seco pode ser reação autoimune Destaque

olhosecoA síndrome do olho seco é um dos problemas oculares mais frequentes na população, principalmente em locais com baixa umidade, como Brasília. Pesquisadores dos Estados Unidos decidiram investigar a complicação e concluíram que ela pode ser consequência de uma disfunção no sistema de defesa do corpo.

Experimentos com ratos e análises em humanos mostraram que células protetoras se acumulam em glândulas dos olhos, levando à doença. A descoberta foi detalhada na revista Science Translational Medicine.

Já se sabia que a síndrome que deixa uma sensação de areia nos olhos está ligada a bloqueios nas glândulas chamadas meibomianas. Elas secretam óleos na abertura das pálpebras, cada vez que o olho pisca, para reter a umidade e mantê-lo saudável. “A disfunção dessa glândula causa irritação e é o maior fator de risco para doença do olho seco. Entretanto, como os pacientes desenvolvem essa condição era pouco compreendido”, conta ao Correio Daniel Saban, um dos autores do estudo e professor Associado de Oftalmologia da Universidade Duke.

Em experimento com ratos, os cientistas descobriram que camundongos com alergias oculares graves desenvolveram obstruções nas glândulas meibomianas devido ao acúmulo de células-T chamadas neutrófilos polimorfonucleares (PMNs). A análise de pacientes com DGM mostrou que eles também continham quantidades elevadas de PMNs, quando comparados a indivíduos sem a doença.

Saban explica que os neutrófilos não são os responsáveis diretos pelo “entupimento”. “Eles são recrutados ao redor da glândula, mudando as células glandulares, o que acaba causando o mau funcionamento. No microscópio, conseguimos ver que as células glandulares, em vez de serem gordas e redondas, foram alteradas. Elas parecem mais uma passa enrugada do que uma uva saudável”, compara.

Terapias e teste

Existem diferentes causas para a síndrome do olho seco e nem todas estão relacionadas à inflamação causada por alergias ou condições autoimunes. De uma forma geral, porém, o tratamento é feito por lubrificação externa. Segundo Saban, a descoberta feita por ele e a equipe é um caminho a ser explorado no desenvolvimento de novos medicamentos. “O mercado é robusto para novas drogas capazes de modular o sistema imunológico. Com a nova compreensão de como as células imunes estão envolvidas nessa condição, as descobertas poderão ser traduzidas em uma droga que já está no mercado e será reaproveitada para aliviar a síndrome do olho seco”, cogita.

Há a possibilidade de outras aplicações. O sistema imunológico poderia ser direcionado terapeuticamente para ajudar a tratar a disfunção da glândula meibomiana, segundo Saban. “Acreditamos que examinar o número de neutrófilos nas lágrimas dos pacientes pode ser útil para determinar se eles têm essa condição e a gravidade dela. A medição dos neutrófilos lacrimais também pode ser usada para determinar se os medicamentos para tratar essa condição estão funcionando”, complementa.

Para Tarciso Schirmbeck, oftalmologista do Visão Institutos Oftalmológicos, em Brasília, a pesquisa americana atesta uma suspeita comum nas clínicas. “Ainda não havia uma comprovação tão bem documentada, mas imaginávamos que era algum tipo de inflamação”, diz. O médico também acredita que o trabalho poderá ajudar no desenvolvimento de testes que identifiquem o problema. “Um exame para quantificar os neutrófilos da lágrima e ajudar a definir se o paciente apresenta o olho seco por causa da resposta autoimune renderia um tratamento mais específico, talvez algum tipo de bloqueador”, acredita.

O especialista ressalta que intervenções do tipo são bem-vindas, principalmente em regiões em que as pessoas sofrem com o clima seco. “Aqui, temos a questão da umidade baixa do ar, que prejudica bastante, ainda mais se você adicionar o tempo no ar condicionado, o uso de telas de computador e a ocorrência de reações alérgicas”, diz. Saban conta que ele e a equipe trabalharão nesse sentido. “Nossos próximos passos serão voltados para entender melhor a natureza dos neutrófilos que causam a disfunção da glândula meibomiana e determinar maneiras específicas de direcioná-los para as terapias.”

"No microscópio, conseguimos ver que as células glandulares,
em vez de serem gordas e redondas, foram alteradas. Elas parecem
mais uma passa enrugada do que uma uva saudável”

Daniel Saban,
professor Associado de Oftalmologia da Universidade Duke e um dos autores do estudo
Por Vilhena Soares

Correio Braziliense

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