- Escrito por Lilian Russo
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Por que a pesquisa clínica faz toda a diferença no combate ao câncer? Destaque
Todo tratamento, inclusive contra o câncer, surge de uma dúvida de como melhorar a saúde dos pacientes. Estudos iniciais em células e modelos animais ocorrem na bancada do laboratório a fim de testar compostos
— que ainda não podem sequer ser chamados de remédios. Somente os “medicamentos” mais promissores seguem para avaliação em seres humanos.
Assim, nenhum composto pode ir direto do laboratório para a farmácia. Afinal, não sabemos se são realmente seguros e eficazes em seres humanos doentes.
A pesquisa clínica forma essa ponte entre o laboratório e os pacientes, testando se compostos promissores são seguros e melhores do que os atualmente disponíveis. É um momento em que seres humanos voluntários – sadios ou doentes – aceitam embarcar numa experiência altamente controlada. Em oncologia, a pesquisa clínica é capaz de avaliar se uma potencial medicação é menos tóxica que as convencionais, se aumenta as chances de cura ou se ao menos aumenta o tempo e a qualidade de vida do paciente.
Nessas experiências – chamadas estudos clínicos ou clinical trials – a maior preocupação é proteger a pessoa que se voluntariou a participar do trabalho. O estudo clínico deve seguir princípios universais que garantem a segurança dos pacientes e evitam que abusos do passado voltem a acontecer. São as boas práticas clínicas.
O cuidado com o paciente envolve não só os pesquisadores – enfermeiros, farmacêuticos, médicos… – mas também um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), que zela pela segurança dos pacientes. Este comitê deve ser absolutamente isento de pressões ou interesses e é formado por cientistas e também membros da comunidade. Antes mesmo do início do estudo, o CEP avalia se todas as medidas para garantir a segurança do paciente estão sendo tomadas. Ele funciona como um fórum plural que discute em detalhes cada estudo, unindo o conhecimento dos cientistas à visão da sociedade.
Com a ajuda do CEP, podemos lidar com a grande dúvida sobre o uso de placebo. Caso não exista qualquer tratamento comprovadamente eficaz para uma doença, é seguro e ético utilizar placebo como comparação. Se o tratamento novo for melhor do que o placebo, então teremos avançado no tratamento da doença. Parece simples, mas somente com o auxílio do CEP teremos certeza de que há base cientifica e ética sólidas para conduzir um estudo com placebo.
Fonte: Saúde Abril
Por Dr. João Paulo Nogueira Lima, oncologista

