“No combate à COVID-19, o comportamento humano pode ser parte do problema ou da solução”
Quando se trata de enfrentar uma doença altamente transmissível como a COVID-19, o comportamento humano pode ser tanto parte do problema quanto da solução, de acordo com especialistas em ciências sociais e comportamentais. Enquanto não há vacina ou tratamento eficaz disponível, aderir a medidas como distanciamento físico, uso de máscara e higienização frequente de mãos e objetos segue sendo a principal forma de conter a disseminação. Mas por que algumasnações estão lidando com esse desafio de forma tão mais eficiente que outras?




Há cada vez mais evidências de que o tecido adiposo desempenha um papel-chave no agravamento da COVID-19. Uma das teorias em investigação é a de que os adipócitos servem como reservatório para o SARS-CoV-2, contribuindo para aumentar a carga viral de indivíduos obesos ou com sobrepeso. Além disso, os cientistas desconfiam que, durante a infecção, as células de gordura liberam na corrente sanguínea substâncias que amplificam a reação inflamatória desencadeada pelo vírus no organismo.
Em artigo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, o professor Alexandre Steiner, do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), propõe que os médicos repensem a administração de antitérmicos nos estágios iniciais da COVID-19. De acordo com o pesquisador, a febre tem um importante papel não só no combate de infecções como no desenvolvimento da memória imunológica, que é criada após o primeiro contato com um agente infeccioso. O conhecimento sobre os benefícios da febre não é novo.
Estudo brasileiro divulgado ontem (13/10) na plataforma medRxiv comprova que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de infectar células do tecido cerebral, tendo como principal alvo os astrócitos. Os resultados revelam ainda que mesmo os indivíduos que tiveram a forma leve da COVID-19 podem apresentar alterações significativas na estrutura do córtex – região do cérebro mais rica em neurônios e responsável por funções complexas como memória, atenção, consciência e linguagem.