Bem-vindos ao site do Focep!


 

Prev Next Page:

Próxima reunião do Focep

Notícias 13-05-2026 Lilian Russo

A próxima reunião do Focep será no dia 15 de junho, das 10h às 13h, na Câmara Municipal de São Paulo.

Read more

Ministério da Saúde institui Programa Nacional de Pesquisa Clínica e fortalece protagonismo do Brasil

Notícias 12-05-2026 Lilian Russo

Ministério da Saúde institui Programa Nacional de Pesquisa Clínica e fortalece protagonismo do Brasil

O Ministério da Saúde publicou a portaria que oficializa o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PPClin). A medida representa um marco para a consolidação de um ecossistema nacional de pesquisa clínica mais integrado, moderno e orientado às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa tem entre os obje...

Read more

Fiocruz obtém patente para tratamento contra malária resistente

Notícias 11-05-2026 Lilian Russo

Fiocruz obtém patente para tratamento contra malária resistente

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiu a patente de um método de tratamento que utiliza um composto considerado promissor no tratamento da malária, especialmente em casos resistentes aos medicamentos tradicionais. A patente foi concedida pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO) e reúne inventores do Instituto René Ra...

Read more

Desafios e Perspectivas no Registro de Genéricos Veterinários

Notícias 08-05-2026 Lilian Russo

Desafios e Perspectivas no Registro de Genéricos Veterinários

Está acontecendo agora, na Câmara Municipal de São Paulo, o evento "Desafios e Perspectivas no Registro de Genéricos Veterinários"Um encontro estratégico para discutir regulamentação, avanços e tendências do setor, reunindo especialistas e profissionais da área.Acompanhe! https://www.saopaulo.sp.leg.br...

Read more

Dia Nacional da Pessoa com Visão Monocular

Notícias 05-05-2026 Lilian Russo

Hoje celebramos o Dia Nacional da Pessoa com Visão Monocular. Uma data que reforça a importância da inclusão, do respeito e da valorização das pessoas que convivem com essa condição.

Read more

Remédio que trata malária também impede que o barbeiro transmita Chagas Destaque

barbeiroA doença de Chagas é uma das enfermidades que mais castigam países tropicais, incluindo o Brasil. E as poucas opções de tratamento deixam o combate a essa enfermidade ainda mais difícil. Tentando mudar esse cenário, cientistas brasileiros decidiram intervir no ciclo de transmissão da doença utilizando um medicamento hoje prescrito para tratar a malária.

Em testes, o remédio impediu que o barbeiro repassasse o Trypanosoma cruzi. Os resultados do trabalho foram publicados na revista PLoS Neglected Tropical Diseases e, segundo os autores, podem contribuir para a criação de medicamentos e medidas preventivas mais eficazes.

O estudo é um desdobramento de pesquisas conduzidas há mais de 20 anos pela equipe. “O mote principal surgiu durante uma especialização que fiz. Depois, foi aprofundado por Caroline Ferreira, uma aluna que resolveu dar continuidade ao projeto”, conta ao Correio Marcus Oliveira, um dos autores do artigo, coordenador do estudo e professor-associado do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os trabalhos anteriores mostram que o barbeiro, um animal hematófago — que precisa chupar sangue para sobreviver — tem um mecanismo para usar o sangue para garantir a sua sobrevivência. “Consegui mostrar que o barbeiro consegue eliminar grande parte do ferro, componente da hemoglobina, e o transforma em um cristal dentro do intestino, chamado hemozoína. Essa descoberta foi apresentada em um artigo publicado em 1999, na revista Nature”, detalha Oliveira. Segundo ele, a hemozoína é essencial para a sobrevivência do inseto e também para a transmissão da doença de Chagas.

Na pesquisa atual, a equipe usou a quinidina, prescrita na abordagem padrão contra a malária, para eliminar os cristais criados pelo barbeiro. “Tínhamos feito estudos semelhantes com outras drogas usadas para tratar a malária. Usamos a quinidina porque ela é um dos medicamentos com maior capacidade antimalárica”, explica Oliveira. Aplicada em barbeiros, a substância provocou o resultado esperado pelos cientistas. “Ao bloquear a produção de hemozoína, a reprodução do inseto e a capacidade de transmitir o Trypanosoma cruzi ficaram comprometidas. Por isso, esse processo é tao importante e os resultados foram tão positivos.”

Para a equipe, com os resultados promissores nas análises laboratoriais, é possível cogitar o uso da quinidina e de outras drogas semelhantes no combate à doença de Chagas. “Queremos, agora, realizar mais testes e analisar a eficácia de outros compostos. Quem sabe poderemos, com isso, aumentar o arsenal de combate a essa doença? Existem poucas opções terapêuticas, seria um outro ganho, além da possibilidade de controlar o seu vetor”, destaca Oliveira.

Para Werciley Júnior, infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o trabalho brasileiro é interessante e bem-vindo. “Apenas uma droga, o benzonidazol, é voltada para essa enfermidade. É urgente a necessidade de criar estratégias de tratamento e de combate ao inseto para que os pacientes tenham opções também mais eficazes”, diz.

O médico acredita que os estudos futuros com humanos poderão render resultados mais consistentes. “Aplicar na população e em regiões em que os casos de Chagas são mais altos pode ajudar bastante nos desdobramentos da pesquisa”, explica. “Temos uma outra vantagem que é em relação ao remédio usado. Ele já é prescrito na área médica, e isso facilita bastante uma futura aprovação”, complementa.

Werciley Júnior destaca outro ponto positivo da pesquisa: a autoria brasileira. “É muito bom termos pesquisadores daqui se destacando. Sabemos que o Chagas castiga mais países tropicais, faz parte das doenças negligenciadas. Esses avanços são importantes para os brasileiros e é ainda mais interessante que eles sejam conduzidos por quem é daqui”, frisa.

Aumento de casos
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de malária se concentra na região amazônica, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, de Mato Grosso, Rondônia, Roraima e do Tocantins. Dados do próprio órgão indicam que, em 2017, o número de registros da doença subiu 50%, depois de seis anos de queda. O mesmo fenômeno se repete em outros países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016, foram contabilizados cerca de 216 milhões de casos em 91 países — um aumento de 5 milhões em relação ao ano anterior.

“Queremos, agora, realizar mais testes e analisar a eficácia de outros compostos. Quem sabe poderemos, com isso, aumentar o arsenal de combate a essa doença?”
Marcus Oliveira, coordenador do estudo e professor-associado do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, na Universidade Federal do Rio de Janeiro

Por Vilhena Soares
Correio Braziliense
(foto: Iano Andrade/CB//D.A Press)

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.