- Escrito por Lilian Russo
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País 14 mil toneladas de sódio de alimentos
O Ministério da Saúde divulgou ontem que o acordo de redução de sódio firmado com a indústria alimentícia já conseguiu retirar 14 mil toneladas do mineral dos produtos. O número é festejado pela pasta, mas criticado por especialistas, que consideram a meta tímida. As empresas ainda não aderiram totalmente.
O levantamento feito pelo ministério mostra que 94,5% das 22 empresas produtoras de margarinas, cereais matinais, caldos e temperos prontos cumpriram o acordo de redução do mineral.
Caldos líquidos e em gel, que deveriam ter apresentado uma redução da substância, tiveram no período analisado um aumento na concentração de sódio de 8,84%. De acordo com a pasta, a irregularidade já foi reparada. Como se trata de um acordo voluntário, empresas não tiveram nenhuma punição.
Essa última fase é considerada a de maior impacto. Sozinha, ela representa quase 50% da meta do acordo, que prevê a redução de 28.562 toneladas de sal até 2020.
Feito em 2011, o acordo entre o governo e a indústria de alimentos prevê a diminuição do sódio de 16 classes de alimentos. A mudança na formulação é feita em etapas. Na primeira fase, a redução foi feita em massas instantâneas, pães de forma e bisnaguinhas. Numa segunda etapa, iniciada em outubro de 2011, foi a vez de salgadinhos de milho, batatas fritas, bolos, misturas para bolo, maionese, bolachas e biscoitos.
Na última fase, iniciada em novembro de 2013, a redução tem como alvo empanados, hambúrguer, linguiças cozida, resfriada e frescal, mortadela, presuntaria, muçarela, requeijão cremoso, salsicha e sopas individuais.
Em nota, a nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor Ana Paula Bortoletto afirmou que as medidas propostas no acordo são tímidas. Como exemplo, ela citou a meta estipulada para caldos em pó. Os valores propostos já haviam sido atingidos antes mesmo do fim do prazo do acordo. A entidade também criticou a forma como o monitoramento do acordo foi feito.
Risco
O sal é considerado um fator de risco para hipertensão. Além de dar sabor, ele ajuda a conservar os alimentos, daí a sua adição até mesmo em alimentos adocicados, como cereais matinais e bolos.
Estudos indicam que o brasileiro usa sal em excesso e não se dá conta de ter esse comportamento de risco. A média de consumo diário do ingrediente no Brasil é de 12 gramas, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde: 5 gramas diárias.
As consequências desse hábito estão estampadas em outro resultado do mesmo estudo. O levantamento indica que uma em cada quatro pessoas têm hipertensão, uma doença que está associada a quase metade dos enfartes. O porcentual, considerado alto, mantém-se estável. Em 2006, 22,5% da população dizia ser hipertensa.
Além da divulgação da estimativa de retirada de sal resultante do terceira etapa do acordo, o Ministério da Saúde anunciou a intenção de realizar uma iniciativa semelhante com o açúcar.
Essa intenção, no entanto, já havia sido anunciada em 2014. Desde lá, nenhum avanço foi anunciado. De acordo com o ministro Ricardo Barros, não há ainda um cronograma para redução de teores de açúcar.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Autor: Lígia Formenti



