- Escrito por Lilian Russo
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Farmacovigilância de medicamentos GLP-1 enfrenta desafios diante de produtos manipulados e falsificados Destaque
A crescente utilização de medicamentos agonistas de GLP-1 para o tratamento do diabetes e da obesidade trouxe também novos desafios para a farmacovigilância no Brasil. Além dos medicamentos regularizados, encontram-se no mercado produtos manipulados, falsificados, contrabandeados ou adquiridos por canais sem procedência conhecida, o que dificulta a avaliação dos riscos associados ao seu uso.
Dados divulgados pelo portal Futuro da Saúde mostram que as notificações de suspeitas de eventos adversos envolvendo medicamentos dessa classe aumentaram nos últimos anos. Foram 451 registros em 2024 e 1.368 em 2025. Até agosto de 2026, o VigiMed já havia recebido 980 notificações.
É importante esclarecer que uma notificação não significa, necessariamente, que o medicamento tenha causado o evento. Ela registra uma suspeita de associação, que precisa ser analisada em conjunto com outras informações. Ainda assim, esses relatos são fundamentais para identificar padrões, investigar possíveis sinais de segurança e subsidiar medidas regulatórias.
Entre os eventos mais frequentemente notificados estão náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, mal-estar e astenia. Um dos principais obstáculos para a análise dos dados é a dificuldade de identificar, em parte dos registros, se o produto utilizado era industrializado, manipulado, falsificado ou de procedência desconhecida.
Para ampliar o acompanhamento desses medicamentos, a Anvisa implantou, em abril de 2026, um Plano de Farmacovigilância Ativa de GLP-1. A iniciativa monitora produtos contendo semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida e permite diferenciar a origem do medicamento envolvido na ocorrência. Até agosto, 23 instituições participavam do programa, entre hospitais da Rede Sentinela e hospitais universitários federais.
O cenário reforça a importância da notificação de suspeitas de eventos adversos por profissionais de saúde, serviços, pacientes e familiares. Quanto mais completas forem as informações registradas, especialmente o nome, a origem e a forma de obtenção do produto, maior será a capacidade das autoridades sanitárias de avaliar riscos e adotar medidas de proteção.
Também merece atenção o uso de produtos adquiridos fora dos canais regulares. Medicamentos falsificados ou de origem desconhecida não oferecem garantia quanto à composição, à dose, às condições de fabricação ou à conservação. Por isso, o acompanhamento por um profissional habilitado e a aquisição em estabelecimentos autorizados são cuidados indispensáveis.
O crescimento do uso dos medicamentos GLP-1 mostra que a farmacovigilância precisa acompanhar não apenas a expansão do mercado, mas também as diferentes formas pelas quais esses produtos chegam à população. Notificar é uma etapa essencial para transformar suspeitas individuais em conhecimento capaz de orientar decisões e promover o uso mais seguro dos medicamentos.
Fonte: Isabella Marin. Farmacovigilância de GLP-1 esbarra em falta de dados sobre manipulados e falsificados. Futuro da Saúde, publicado em 25 de agosto de 2026.




