- Escrito por Lilian Russo
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Sem consentimento
O chinês Shifa Liu, que já divulgou cerca de 500 trabalhos científicos nas áreas de física e matemática em repositórios de preprints, está no centro de uma controvérsia acadêmica após o relato de que incluiu repetidamente o nome da própria filha, uma aluna de graduação de uma universidade norte-americana, como coautora em mais de 100 de seus manuscritos. O caso foi noticiado pelo site Retraction Watch.
O nome da filha não foi divulgado pelo site, mas uma consulta aos manuscritos mostra que se trata de Dongqi Liu, aluna da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Ela garante que não teve participação na pesquisa e na redação dos trabalhos, nem consentiu que fosse incluída no rol de autores. “
Pedi a ele que parasse, mas ele não parou”, disse ao Retraction Watch. Em alguns casos, o nome da estudante é citado como autora correspondente, uma espécie de porta-voz dos autores de um artigo e interlocutora do grupo com revistas científicas. Ela informou ter procurado os administradores de repositórios como Zenodo e Cambridge Open Engage, onde os manuscritos foram divulgados, para pedir a retirada de seu nome dos artigos.
Questionado pelo Retraction Watch, o pai declarou nunca ter recebido formação acadêmica formal em áreas avançadas das ciências exatas, mas sustenta que seus estudos são originais e questionam métodos tradicionais da matemática e da física. Ele também disse não ter atuado em instituições de pesquisa, embora declare nos manuscritos vínculo com a Universidade de Pequim. Indagado sobre sua prolífica produção de trabalhos científicos, Shifa Liu afirmou: “Todos os artigos são fruto de um longo e profundo processo de reflexão e escrita diligente e foram apenas organizados e publicados recentemente”. Segundo ele, a filha estava “profundamente envolvida em alguns deles, me proporcionando enorme inspiração e ajuda”.
https://revistapesquisa.fapesp.br/sem-consentimento/


