- Escrito por Lilian Russo
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Dia de Conscientização de Parkinson: entenda a doença e a realidade de quem convive com ela
Esta segunda-feira (11), é o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. Estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1998, a data tem como objetivo informar sobre a doença e sobre as possibilidades de tratamento para que o paciente e sua família tenham uma melhor qualidade de vida.
Depois do Alzheimer, o Parkinson é a doença neurodegenerativa mais comum. O neurologista especializado na doença, Alex Tiburtino Meira, explica que, apesar de ser entendida como uma alteração na região chamada de ‘substância negra no cérebro’ (área que provoca os sintomas motores), o Parkinson possui outros sintomas que envolvem outras áreas cerebrais.
Por exemplo, dificuldade em sentir cheiros, alterações no sono, constipação, alterações do humor (como ansiedade e depressão). Esses sintomas são chamados de não motores.
Como é feito o diagnóstico?
O neurocirurgião explica que o diagnóstico é feito a partir dos sintomas motores. O principal sintoma motor, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não são os tremores de repouso, mas a lentidão ao realizar movimentos. Inclusive, é possível ter Parkinson e não ter tremores. Para diagnosticar, é necessário verificar se há lentidão, se os movimentos estão globalmente reduzidos em velocidade, associados a rigidez ou ao tremor de repouso.
Os sintomas que confirmam o diagnóstico são esses, explica o especialista, “mas ao conversar com pacientes é possível fazer uma análise retrospectiva e observar que há cerca de dez a vinte anos antes, ele já tinha sintomas relacionados à doença”. Que sintomas são esses? Constipação, ansiedade, depressão, alterações da pele (como seborreia), dificuldade na sensação do olfato. Tudo isso anos antes do aparecimento dos sintomas motores.
O diagnóstico começa com a análise médica. O paciente chega com a queixa de que a letra está mudando, por exemplo, ou que está tendo dificuldade para realizar movimentos. Ele também pode ou não falar em tremores. Às vezes, o paciente chega com uma dor no ombro persistente, mesmo após já ter investigado com o ortopedista e ter passado por vários médicos. Também é muito comum relatar dores na lombar.
“O paciente fica com os passos curtos, com a fala mais baixa e difícil de entender”, diz o médico, “todos esses sintomas geralmente são queixas iniciais que vão fazer a gente pensar no diagnóstico. Eu vou buscar os sintomas motores, os sintomas não motores e vou fazer um exame físico. Se eu observar no exame físico essas alterações, notando uma evolução característica da doença de Parkinson, a gente fecha o diagnóstico”.
Não é possível dizer se o paciente possui a doença imediatamente, pois é necessário observar a evolução dos sintomas. Por isso, o médico fala inicialmente em Parkinsonismo, termo atribuído aos sintomas de Parkinson. Para o diagnóstico da síndrome, não é necessário a realização de nenhum exame de imagem, no entanto, o médico solicita alguns para fazer os diagnósticos diferenciais relativos às outras possíveis causas dos sintomas apresentados.
Tratamento
Até o momento, Parkinson não tem cura. O que existe é o tratamento sintomático e de reabilitação. “Eu viso no tratamento para meu paciente que ele mantenha a maior independência funcional, com a menor quantidade de sintomas e a menor quantidade de efeitos colaterais dessas medicações. É um balanço que a gente vai buscando em momentos diferentes da consulta. É importante alguém que entenda da doença para acompanhar esse paciente”, diz o neurocirurgião Alex.
Os tratamentos visam tratar os sintomas motores, e também os não motores. O médico alerta que é muito importante, desde o início, que o paciente faça reabilitação. Mesmo que esteja apresentando pouca incapacidade funcional, a reabilitação é profilática, pois inevitavelmente o paciente vai ter desequilíbrios e quedas. Reabilitar antes de começar os sintomas é importante para prevenir que eles ocorram logo.
“Alimentação saudável é uma coisa muito importante, bem como evitar bebida, tabagismo e fazer atividade física. Outra coisa muito importante para esse paciente é manter uma vida normal. Se ele quiser trabalhar, que continue trabalhando, continue dirigindo quando for possível, faça viagens, interaja com a família, participe de eventos sociais o máximo possível”.
“Eu não quero que o meu paciente fique em casa, sentado, esperando a hora do próximo remédio, esse é o tipo de paciente que evolui pior. Os melhores pacientes que eu tenho são aqueles que querem continuar vivendo e querem continuar fazendo tudo que eles faziam anteriormente, esses vão ter independência funcional por mais tempo”, relata o neurocirurgião.
Fonte: Jornal da Paraíba
https://jornaldaparaiba.com.br/saude/2022/04/11/dia-de-conscientizacao-de-parkinson-entenda-a-doenca-e-a-realidade-de-quem-convive-com-ela
Imagem: Pixabay



