- Escrito por Lilian Russo
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Após nova lei, Anvisa alerta sobre riscos de medicamentos off label
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alertou sobre o uso de medicamentos off label (sem necessidade de seguir a bula) após a publicação da INSTRUÇÃO NORMATIVA - IN Nº 120, DE 9 DE MARÇO DE 2022, que autoriza o SUS (Sistema Único de Saúde) a administrar remédios sem o aval da Anvisa. Em nota, a Anvisa explica que a ampliação do uso de medicamentos e tecnologias em saúde, por meio do off label, "pode resultar em aumento dos eventos adversos não conhecidos". A nova lei, diz a agência, necessita de ações robustas do poder público para reduzir os riscos aos pacientes.
IN 120/2022: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-in-n-120-de-9-de-marco-de-2022-38610377
A autorização e incorporação de uso não previsto em bula,
sem o respaldo técnico científico e a adequada farmacovigilância, pode resultar em ônus ao sistema de saúde público e até mesmo às operadoras de planos de saúde, afetando o mercado sanitário nacional.Anvisa alerta sobre uso de medicamentos off label A agência pede que o governo estabeleça um rígido controle e monitoramento dos medicamentos que dispensam a bula, "com o estabelecimento de critérios revestidos de evidências científicas, responsabilizações do ente público que vier estabelecer a incorporação de uso não aprovado". A Anvisa também diz que respeita o processo legislativo no Brasil e que já estuda a adoção de medidno Brasil e que já estuda a adoção de medidas regulamentares para monitoramento de possíveis eventos adversos.
O que diz o texto da nova lei O texto sancionado modifica a Lei Orgânica da Saúde e, na prática, cria duas exceções que anulam a participação da Anvisa nos processos. A partir de agora, poderão ser ministrados medicamentos recomendados pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias), colegiado vinculado ao Ministério da Saúde, desde que demonstrados sua eficácia e segurança. A lei também libera o uso de "medicamento e produto recomendados pela Conitec e adquiridos por intermédio de organismos multilaterais internacionais". Até então, a legislação vedava, em todas as esferas de gestão do SUS, "o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de medicamento, produto e nacional ou importado, sem registro na Anvisa". O projeto que resultou na lei é de autoria do Senado e, originalmente, foi apresentado em 2015 pelo então senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
O que é medicamento off label? O off label (sem bula) é usado em situações em que um medicamento já existente no mercado é usado de forma diferente da finalidade em que foi aprovado pela Anvisa ou outros órgãos regulatórios. Um exemplo disso é o ácido all-trans-retinoico, conhecido como roacutan, que na bula é indicado para tratamento de acne, mas também pode ser usado para tratar um tipo específico de leucemia. Vale lembrar que somente o médico pode recomendar um tratamento off label. Karina Soeiro, farmacêutica, biomédica e mestre em ciências farmacêuticas pela USP (Universidade de São Paulo), explica que mais importante que seguir a bula do remédio é seguir as orientações médimédicas. "Cada medicamento funciona de um jeito. Não podemos generalizar e achar que determinado remédio vai ser bom para todos. É importante que o paciente siga a orientação de um médico", diz. A especialista ressalta que mudanças podem ocorrer no que hoje é considerado como off label, já que Anvisa pode modificar a bula incluindo a nova orientação de uso.
Fonte: UOL Ciência e Saúde



