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Os efeitos colaterais da multiplicação de médicos

rpf-medicos-2026-03-3-1140bO Ministério da Educação (MEC) cancelou em fevereiro um edital que previa a abertura de quase 6 mil vagas em cursos de medicina em universidades privadas. A chamada selecionaria propostas para criar novas graduações ou ampliar o número de matrículas em faculdades já existentes no âmbito do Programa Mais Médicos, lançado em 2013 para reduzir a escassez de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa permite ao governo definir locais para a criação de novos cursos onde existe carência de médicos – em geral, longe dos grandes centros urbanos –, desde que haja uma infraestrutura de serviços de saúde capaz de propiciar uma formação prática de qualidade para os estudantes.

O cancelamento do edital foi uma espécie de freio de arrumação depois do alarme causado pela divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), prova anual criada pelo ministério para examinar a qualidade da formação oferecida pelos cursos – o teste foi aplicado pela primeira vez a alunos de medicina de último ano para verificar o conhecimento adquirido. Dos 39.258 formados em 351 cursos que participaram da Enamed, apenas 67% alcançaram proficiência. Trinta por cento das graduações receberam conceitos 1 (até 39,9% de estudantes proficientes) e 2 (entre 40% e 59,9% de alunos proficientes), performance considerada insuficiente. Faculdades municipais, que tiveram só 944 alunos avaliados, foram as com pior desempenho: apenas 49,7% proficientes. Já as escolas privadas com fins lucrativos se destacaram pelo volume de reprovações: 57,2% de 15.409 estudantes tiraram conceitos 1 e 2. Universidades federais e estaduais registraram índices superiores a 80% de proficiência.

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