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Descoberta de mecanismo envolvido em inflamação dentária abre caminho para terapias contra perda óssea Destaque

44930Por meio de experimentos com camundongos, pesquisadores desvendaram mecanismos envolvidos em inflamações na polpa dentária e em lesões periapicais (em torno da extremidade da raiz do dente), abrindo caminho para a busca de medicamentos que podem ser usados para inibir a perda óssea decorrente de infecção endodôntica. O mecanismo estudado envolve um receptor denominado TNFR1, no qual a citocina pró-inflamatória TNF-α se liga.

Em uma das situações avaliadas, a via de sinalização TNF-α-TNFR1 foi capaz de proteger e permitiu o reparo do dente, mas, em outro caso, gerou resposta em sentido diferente, levando a um processo inflamatório com perda óssea – a diferença foi a presença ou não de microrganismos.

Um dos estudos, publicado no Journal of Endodontics, mostrou que o receptor TNFR1 está envolvido na formação de dentina reparadora após a realização do chamado “capeamento” da polpa dentária, ou seja, a colocação de um material bioativo diretamente sobre o local exposto na tentativa de permitir a cicatrização da polpa.

Quando o TNFR1 é removido ou desativado geneticamente (processo conhecido como ablação), há uma alteração da resposta inflamatória e inibição da produção de proteínas-chave de mineralização (sialoproteína dentinária e osteopontina), levando à necrose da polpa dentária e ao desenvolvimento de periodontite apical. Com isso, os pesquisadores demonstraram, in vivo, que essa via de sinalização pró-inflamatória é importante para a diferenciação celular e síntese de proteínas que controlam o processo de biomineralização dentária – um caminho crucial para a cicatrização adequada dos dentes.

Já no outro trabalho, publicado na mesma revista, os cientistas observaram que a via de sinalização TNF-α-TNFR1 é responsável por mediar a degradação do tecido ósseo após a contaminação do canal radicular. Essa via desempenha um papel importante na inflamação e na perda óssea quando o canal radicular do dente está contaminado por microrganismos. Se houver o bloqueio dela, é possível reduzir os efeitos negativos.

“Nosso grupo tem trabalhado na investigação de mediadores biológicos envolvidos na diferenciação de células-tronco e biomineralização de dentes e ossos. Estudamos lesões periapicais, que são um tipo bem específico, quando há entrada de bactérias no canal radicular dos dentes, resultando em uma contaminação no canal”, afirma o professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FORP-USP) Francisco Wanderley Garcia de Paula-Silva.

Os dois artigos são resultado do doutorado de Luciano Aparecido de Almeida Júnior no Programa de Pós-Graduação em Odontopediatria da FORP-USP, sob orientação de Paula-Silva. Ambos receberam apoio da FAPESP (19/00204-1 e 19/02432-1).

Recentemente, o grupo ligado ao professor também publicou um artigo direcionado e revisado por crianças para explicar o processo de regeneração dos dentes, com ênfase nas células e moléculas envolvidas neste mecanismo. Além disso, eles mantêm um canal no YouTube sobre “alfabetização” em saúde bucal (leia mais em: agencia.fapesp.br/41826).

Entre crianças e adolescentes, as cáries são o principal problema bucal, segundo dados preliminares da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, que vem sendo realizada pelo governo federal. O levantamento mostra ainda que cerca de 45% dos idosos de 65 a 74 anos precisam de algum tipo de tratamento imediato, devido à dor ou infecção dentária, e, entre adultos (de 35 a 44 anos), foi identificada a necessidade de ao menos um procedimento odontológico eletivo em 48% da população avaliada.

Por Luciana Constantino | Agência FAPESP –
Veja mais: https://agencia.fapesp.br/descoberta-de-mecanismo-envolvido-em-inflamacao-dentaria-abre-caminho-para-terapias-contra-perda-ossea/44930

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