- Escrito por Lilian Russo
- Seja o primeiro a comentar!
Brasil precisa expandir seu potencial para a pesquisa clínica Destaque
O desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 em ritmo acelerado foi um sinal da capacidade que empresas, academia e governos estrangeiros tiveram para direcionar esforços para a pesquisa clínica.
A importância disso se vê, por exemplo, na economia: o setor de saúde é um ponto de sustentação relevante para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Um dado divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Conta-Satélite de Saúde (referente a 2019), mostra isso: as despesas com consumo final de bens e serviços de saúde representaram 9,6% de tudo que movimentou a economia brasileira naquele ano. Em valores, isso chega a R$ 711,4 bilhões.
Com mais pesquisa feita por aqui, a tendência para investimentos, geração de empregos e produção de conhecimento – na forma de novos medicamentos, novas vacinas, novos insumos para a produção destes e mais – é de crescimento e avanços. O Brasil já tem se destacado no terreno das healthtechs: de acordo com o estudo Mapeamento HealthTechs 2022 (da Associação Brasileira de Startups com a consultoria Deloitte), de 215 empresas do tipo hoje atuando no país, quase metade (45%) surgiu ao longo dos dois anos da pandemia. Outro levantamento (da consultoria Distrito) recente mostrou que de 2011 a 2021 os investimentos em startups de saúde cresceram de US$ 2,7 milhões para US$ 530,6 milhões.
Na área de prestação de serviços de saúde, portanto, vê-se que o Brasil consegue ser um terreno favorável ao surgimento de empresas. Para a pesquisa, é preciso que haja tal abertura também. O país já dispõe hoje de centros de excelência de reconhecimento internacional, como a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Instituto Butantan – mas há potencial para muito mais. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, entre 1999 e 2019, foram realizados no mundo todo mais de 670 mil registros de ensaios clínicos – sejam os intervencionistas (feitos para testar um medicamento ou um dispositivo médico), sejam os observacionais (em que se acompanha o comportamento da saúde de um grupo segundo um protocolo de pesquisa). Destes, cerca de 17 mil (cerca de 2,6%) são do Brasil.
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/coluna-claudio-lottenberg/brasil-precisa-expandir-seu-potencial-para-a-pesquisa-clinica/
Por CLAUDIO LOTTENBERG