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Sprays nasais contra vírus: o que se sabe sobre eles?

sprayO spray nasal EXO-CD24, desenvolvido em Israel e já usado por lá para tratar câncer de ovário, virou a nova aposta do governo Bolsonaro para curar pessoas com Covid. O medicamento, porém, só concluiu por enquanto a fase 1 dos testes clínicos, com o envolvimento de apenas 30 voluntários. Nesta semana, em busca de acordos que acelerem as pesquisas sobre o remédio, uma comitiva brasileira está em visita ao país do Oriente Médio.
Segundo pesquisadores do Ichilov Medical Center, de Tel Aviv, esse grupo de pacientes, com casos de moderados a graves de infecção pelo coronavírus, se recuperou após o uso do spray.
Dos 30 participantes, 29 levaram de três a

cinco dias para ter melhora após o início do uso do produto, que se baseia na “entrega” às células de uma proteína destinada a diminuir a resposta inflamatória, a CD24. Esse transporte é feito por meio de exossomos, que são como pequenas bolsas que carregam substâncias. Daí o nome do spray: EXO-CD24.

— Os testes clínicos em fase 1 e fase 2 não avaliam eficácia, avaliam outros comportamentos e características como segurança e outros aspectos. Mas eficácia você precisa ver em um estudo grande realmente, com bem mais que 30 pessoas — pondera o virologista Flávio Guimarães da Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Três sprays no Brasil
No Brasil, contudo, já há outros sprays nasais à venda com a promessa de ajuda contra vírus — mas com foco na prevenção, não no tratamento de doenças respiratórias. Nas últimas semanas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou três deles: Taffix, Filtrair Defense e Vick Primeira Proteção, todos na categoria “produtos para a saúde”, que se difere da classificação “medicamentos”, onde mais estudos são necessários para o registro.

A rigor, eles não são remédios, explica Fonseca, porque não contêm um fármaco que combata o vírus por si só, apenas tentam bloquear sua passagem na mucosa nasal.

— A maior parte desses produtos funciona como se fossem géis que prendem as partículas. Não as partículas virais em si, porque os vírus não ficam flutuando sozinhos no ar. Eles estão normalmente associados a micropartículas de secreção respiratória, como gotículas de saliva etc. E é isso que acaba sendo inalado e você tem então a infecção — descreve o virologista.
Por Giuliana de Toledo
O Globo

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