- Escrito por Lilian Russo
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Nanopartícula combina estratégias para acelerar a cicatrização de feridas
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma nanopartícula capaz de agir sobre diferentes fatores que impedem a cicatrização de feridas crônicas, como é o caso das úlceras associadas ao diabetes e das escaras comuns em pessoas acamadas. Essas lesões, que podem persistir por meses ou até anos, afetam de 1% a 2% da população e representam um importante problema de saúde pública, pois aumentam o risco de infecções e de amputações, além de comprometerem significativamente
a qualidade de vida dos pacientes.
Em testes in vitro, a tecnologia reduziu a inflamação e protegeu o tecido contra danos causados pelo estresse oxidativo – uma condição patológica em que o excesso de moléculas reativas (como os radicais livres de oxigênio) danifica as células e impede a regeneração. Além disso, a formulação favoreceu a migração de fibroblastos cutâneos, células que desempenham papel fundamental na cicatrização da pele. Os resultados foram publicados em maio na revista Colloids and Surfaces B: Biointerfaces.
O tratamento atualmente disponível é baseado principalmente em curativos, antibióticos e anti-inflamatórios, que ajudam a controlar a infecção e o quadro inflamatório, mas nem sempre conseguem eliminar os fatores que mantêm a ferida aberta.
“Essas feridas são difíceis de tratar porque diversos mecanismos envolvidos na cicatrização deixam de funcionar adequadamente. Há inflamação persistente, excesso de enzimas que degradam o tecido, estresse oxidativo e dificuldade de formação de uma nova pele. Por isso, pensamos em uma estratégia que pudesse atuar sobre vários desses processos ao mesmo tempo”, explica a farmacêutica Maria Vitória Lopes Badra Bentley, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e orientadora da pesquisa, que contou com financiamento da FAPESP.
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