- Escrito por Lilian Russo
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Atividade física ao longo da vida reduz risco de depressão na velhice
Manter-se fisicamente ativo ao longo da vida pode reduzir de forma significativa o risco de sintomas depressivos na velhice. Essa é a principal conclusão de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por até 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Foram incluídos participantes de dois grandes projetos: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA, na sigla em inglês), no Reino Unido, e o Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS, em inglês),
nos Estados Unidos. Ambos acompanham periodicamente adultos mais velhos, com questionários semelhantes e avaliações realizadas a cada dois anos, o que permite comparações consistentes entre populações diferentes.
“Nessa pesquisa, buscamos entender a associação entre a atividade física e a incidência de sintomas depressivos em idosos, usando dois conjuntos de dados muito comparáveis”, conta André de Oliveira Werneck, integrante do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e primeiro autor do artigo publicado em junho do ano passado no Journal of Affective Disorders.
A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP durante estágio de pesquisa realizado por Werneck no Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London (Reino Unido), quando ainda estava no doutorado.
O longo período de acompanhamento (12 anos em ambos os grupos), diz Werneck, foi essencial para avaliar como mudanças no comportamento ao longo do tempo influenciam a saúde mental. Em geral, nos estudos tradicionais, a atividade física costuma ser medida apenas no início do seguimento, como se o comportamento dos participantes permanecesse estável ao longo dos anos. “Mas muita coisa pode mudar ao longo de 12 anos. As pessoas podem se exercitar mais ou menos, desenvolver doenças, mudar seus hábitos, e isso pode introduzir vieses importantes”, explica Werneck.
Por isso, os pesquisadores adotaram uma abordagem epidemiológica inovadora conhecida como target trial emulation (emulação de ensaio-alvo). O método utiliza ferramentas estatísticas avançadas para simular, a partir de dados observacionais, como seria um ensaio clínico randomizado de longo prazo.
Essa ferramenta resolve um dos maiores gargalos das pesquisas de longo prazo. No mundo real, pessoas que se exercitam com frequência costumam ter vantagens que mascaram os resultados – como maior renda ou menos doenças prévias. O algoritmo corrige essas desigualdades matematicamente, nivelando as condições de todos os participantes. É como se o computador projetasse duas realidades paralelas para os mesmos idosos: a vida como ela realmente aconteceu versus um cenário ideal onde todos cumpriram a rotina de treinos sem interrupções.
“Criamos cenários de intervenções plausíveis e estimamos como seria o risco de sintomas depressivos se as pessoas mantivessem esses níveis de atividade física ao longo dos 12 anos”, explica o pesquisador.
Veja Mais: https://agencia.fapesp.br/atividade-fisica-ao-longo-da-vida-reduz-risco-de-depressao-na-velhice/58479